A Fifa anunciou as cidades e os estádios que receberão as partidas da Copa do Mundo de 2026. Das 23 arenas que se apresentaram como candidatas, 16 foram escolhidas para o torneio, cuja organização será dividida entre Estados Unidos, México e Canadá.

A decisão foi divulgada em evento realizado pela entidade que comanda o futebol mundial, em Nova York, na noite de quinta-feira (16). Está entre os campos vencedores da disputa aquele em que a seleção brasileira conquistou o tri mundial.

Em 1970, o Brasil levou a Copa pela terceira vez e ficou com a posse definitiva -ou quase isso- da taça Jules Rimet. O troféu foi obtido em uma vitória por 4 a 1 sobre a Itália, no estádio Azteca, na Cidade do México, novamente sede de um Mundial.

O Azteca será o primeiro estádio a receber duelos de três edições da competição. Em 1986, o torneio foi novamente realizado no México, e o palco da decisão se repetiu. Era a consagração de Maradona, que levou a Argentina ao título em triunfo por 3 a 2 sobre a Alemanha Ocidental.

Havia a expectativa que o campo em que o Brasil ganhou o tetra, em 1994 –vitória nos pênaltis sobre a Itália, após empate por 0 a 0– também voltasse a ter jogos da Copa. Mas o tradicional Rose Bowl, em Pasadena, nos arredores de Los Angeles, foi preterido pelo moderno SoFi Stadium, em Inglewood, outra cidade na grande LA.

Nos Estados Unidos, também receberão partidas Nova Jersey (MetLife Stadium), Dallas (AT&T Stadium), Santa Clara (Levi's Stadium), Miami (Hard Rock Stadium), Atlanta (Mercedes-Benz Stadium), Seattle (Lumen Field), Houston (NRG Stadium), Philadelphia (Lincoln Financial Field), Kansas (Arrowhead Stadium) e Boston (Gillette Stadium).

Já o México terá três arenas na competição. Além do Azteca, estarão no torneio o estádio Akron, em Zapopan, nas cercanias de Guadalajara, e o BBVA Bancomer, em Monterrey. O Canadá terá dois locais de disputa, o BMO Field, em Toronto, e o BC Place, em Vancouver.

"Vamos tentar organizar a Copa de modo que as seleções e os fãs não tenham que viajar muito. No momento oportuno, vamos decidir o local de abertura e o palco da final", afirmou o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

"Em 2026, o futebol vai ser o esporte número um nesta parte do mundo."

A Copa do Mundo de 2026 será a primeira com 48 seleções -atualmente, são 32. Elas serão divididas em 16 grupos com três equipes cada um. As duas primeiras de cada chave avançarão ao mata-mata, na fase anterior às oitavas de final.

Aprovada em 2017, a ampliação foi uma cartada de Infantino, que viu crescerem sua influência e seu prestígio em países periféricos do futebol. Muitos dos que dificilmente teriam a oportunidade de jogar um Mundial passaram a ter chances bem maiores.

Haverá também mais dinheiro em movimento. As contas são periodicamente refeitas, mas a expectativa da entidade que rege o futebol é uma arrecadação de ao menos US$ 6,5 bilhões (R$ 33,2 bilhões, na cotação atual).

O torneio passará a ter um total de 80 partidas, 16 mais do que no formato atual. No certame de 2026, deverão ocorrer 60 confrontos em território norte-americano, dez no México e outros dez no Canadá. A final será nos Estados Unidos.

Por: Luís Curro

O ano: 2006. O mês: julho. O dia: 9. O país: Alemanha. A cidade: Berlim. O estádio: Olímpico. O evento: final da Copa do Mundo. Os rivais: Itália e França.

No segundo Mundial decidido nos pênaltis (o primeiro foi em 1994, Brasil x Itália, nos EUA), os italianos se sagraram pentacampeões ao superar os franceses por 5 a 3, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal mais prorrogação.

Os personagens mais marcantes dessa decisão foram o craque francês Zinédine Zidane, capitão dos Bleus, e o zagueiro Marco Materazzi, da Squadra Azzurra.

Não só porque eles foram os responsáveis pelos gols de suas respectivas seleções, ambos no primeiro tempo -Zidane, de pênalti com cavadinha, e Materazzi, de cabeça após escanteio.

Mas porque eles protagonizaram a jogada mais lembrada da partida. A violenta cabeçada que o camisa 10 desferiu no peito do camisa 23 no início do segundo tempo da prorrogação. O motivo: uma provocação do beque italiano.

No relato do próprio Materazzi, depois de um desentendimento na grande área italiana que deixou o italiano com cara de poucos amigos, Zidane disse que depois do jogo lhe daria sua camisa, e ele retrucou: "Prefiro sua irmã".

A reação do francês, que tem uma irmã chamada Lila, foi imediata e intempestiva: a careca no tórax do italiano, que desabou.
O árbitro argentino Horacio Elizondo, ao saber da agressão por um auxiliar, mostrou o cartão vermelho a Zidane.

O lance ficou tão famoso que o escultor argelino Adel Abdessemed o imortalizou em uma estátua, cujo destino acabou sendo Doha, a capital do Qatar.

Colocada na orla da cidade, ela teve estadia curta por lá, apenas um mês.

Protestos constantes de muçulmanos -que a consideravam uma violação a dogmas religiosos, por incitar a idolatria, além de ser um estímulo à violência- fizeram com que as autoridades a retirassem e a guardassem.

Agora, entretanto, com a proximidade da Copa deste ano, que será em novembro e dezembro, a estátua de bronze de 5 metros de altura, chamada de Coup de Tête (Cabeçada), foi resgatada e será exibida para a população local e para os turistas.

Não perto do mar, a céu aberto, como nove anos atrás, mas em um local fechado, um museu com temática esportiva, a ser visitado somente por quem tiver interesse.

Nas palavras de Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al-Thani, irmã do emir do Qatar e responsável pela administração dos museus do país, "as sociedades evoluem", e hoje haverá entre seus compatriotas uma aceitação maior da obra de Abdessemed.

"As pessoas podem criticar algo no começo, mas depois entendem e se acostumam com isso", disse ela em entrevista a jornalistas. "Zidane é um grande amigo do Qatar e um modelo para o mundo árabe."

Al-Thani prosseguiu: "Estamos tentando ensinar e capacitar as pessoas por meio da arte, e ela representa fatos da vida. Com a escultura de Zidane, falaremos do estresse dos esportistas em grandes competições e sobre a importância de lidar com a saúde mental".

O museu 3-2-1, onde a Coup de Tête terá lugar de destaque em exposição a ser iniciada antes do início da Copa, fica localizado no Estádio Internacional Khalifa, um dos que receberão jogos do Mundial, incluindo a disputa pelo terceiro lugar.

Por: Giuliana Miranda

Após 226 anos do início das obras, a ala poente do Palácio da Ajuda, última residência dos reis de Portugal, foi aberta ao público com o novíssimo Museu do Tesouro Real. A instalação abriga uma coleção com mais de mil peças, que incluem joias raras e valiosas da coroa portuguesa, além de moedas, itens de ourivesaria religiosa, prataria artística -e grande quantidade de ouro e diamantes do Brasil.

Este é o nome, inclusive, de uma das 11 áreas temáticas da exposição. Um painel destaca a abundância das jazidas de Minas Gerais e seus "diamantes em enorme e inédita quantidade", que proporcionaram uma mudança de paradigma na joalheria portuguesa, "que passa a ser definida não pelos metais preciosos, mas sim pelas pedrarias". Não por acaso, das 22 mil pedras da exposição, 18 mil são diamantes.

O texto da seção brasileira menciona que a corrida do ouro trouxe exploradores e aventureiros à região, mas não faz alusões à mão de obra de africanos e indígenas escravizados nas minas de extração.

Diretor do Palácio Nacional da Ajuda, o historiador José Alberto Ribeiro diz que as referências à escravidão foram incluídas apenas no catálogo da exposição, que ainda não está disponível. A previsão é que a compilação, cuja impressão teria sido atrasada devido à Guerra da Ucrânia, fique pronta em julho.

"Isso é falado no catálogo, logo na abertura, quando se fala em mineração. A exposição é puramente para mostrar as joias do tesouro real e contar sua história", afirma Ribeiro.

Além das joias finalizadas, a mostra exibe uma série de pedras brutas e pepitas de ouro. O maior destaque é também proveniente do Brasil: a provável segunda maior pepita de ouro do mundo, com cerca de 22 kg.

As joias da realeza, no entanto, são o ponto mais disputado do museu, que faz um grande apanhado temporal e de estilos, mostrando como os adornos da monarquia evoluíram ao longo dos anos.

É nesta área que estão algumas das principais peças da coleção, como o grande laço de esmeraldas que pertenceu a Maria Bárbara de Bragança, que era filha do rei Dom João 5º e foi rainha da Espanha. A peça chegou a ser desmanchada e teve seus pedaços utilizados para compor outros ornamentos, mas foi restaurada à sua forma original.

"A joia entra na Casa Real após a morte da rainha, que não teve filhos, e deixou sua herança à família portuguesa", explica Ribeiro. "São consideradas uma das esmeraldas colombianas mais límpidas."

Outra peça restaurada é uma tiara em ouro, de Dona Estefânia, recebida como presente de casamento de Dom João 5º. A joia foi considerada desaparecida durante vários anos e só foi descoberta recentemente, quando especialistas da coleção identificaram que a peça estava, na verdade, desmontada.

"Era uma joia que devia ser muito desconfortável, porque, quando Dona Estefânia a usou no casamento, há relatos de que sangrou na testa", conta o diretor do palácio.

Originalmente com 4 mil diamantes, a peça é exibida totalmente "descravejada", assim como alguns outros itens. A ideia é mostrar também como a realeza fazia uma espécie de reciclagem das pedras preciosas, que tinham seus adornos trocados constantemente. Há ainda uma seleção de joias completamente pretas, idealizada para momentos de "luto profundo".

Valiosas, as joias reais não escaparam de vendas, roubos e leilões ao longo dos anos. A coleção exibe, no entanto, vários itens que o Estado português conseguiu recomprar ao longo dos anos. Nem todas as tentativas de aquisição, porém, foram bem-sucedidas. Leiloada na Christie's em maio de 2021, a tiara de diamantes e safira da rainha Maria 2ª -que era filha de Dom Pedro 1º e nasceu no Rio de Janeiro- acabou arrematada por um magnata do Oriente Médio.

Portugal chegou a fazer lances pela peça, mas o orçamento disponibilizado para a compra não foi suficiente contra o EUR 1,3 milhão (cerca de R$ 6,7 milhões) oferecido pelo colecionador. O proprietário, porém, concordou em emprestar a peça para a abertura do museu, onde ela permanecerá por um ano.

A mostra também tem um núcleo dedicado aos objetos rituais da monarquia, que representavam o poder dos reis de Portugal. Símbolo máximo do poder real, a última coroa foi encomendada no Brasil, em 1817, para a cerimônia de aclamação de Dom João 6º.

Toda em ouro, a peça tem uma particularidade: não era colocada na cabeça dos soberanos no momento em que passavam a reinar. Isso acontecia por conta de uma tradição iniciada pelo primeiro rei da dinastia de Bragança. Após reconquistar a independência de Portugal junto a Espanha, em 1640, Dom João 4º, entregou simbolicamente sua coroa a uma imagem de Nossa Senhora da Conceição e afirmou que ela seria a "verdadeira rainha de Portugal".

Daquele momento até a instauração da República, em 1910, os monarcas portugueses não tinham uma cerimônia de coroação, mas sim uma aclamação, em que o novo soberano recebia a coroa, mas não a colocava na cabeça.
A mostra impressiona ainda com a reprodução de uma enorme mesa de jantar real.

Encomendada ao ourives francês François-Thomas Germain após o grande terremoto de 1755 destruir o conjunto anterior, a imponente baixela, com vários detalhes artísticos, é referência mundial em qualidade e raridade.

A última parte da mostra chama-se "Viagens do Tesouro Real" e é dedicada à mobilidade de seu conteúdo, incluindo em momentos não tão gloriosos da história portuguesa, como o embarque da família real e da corte para o Brasil em 1807.

A maior parte do tesouro volta para Portugal em 1821, com o regresso de Dom João 6º. Os bens que ficaram a serviço da regência no Brasil, no entanto, tiveram destino bem mais disperso. Alguns dos itens voltaram a Lisboa, enquanto outros têm ainda paradeiro desconhecido.

Segundo o diretor do museu, o acervo não será emprestado a outras instituições. Há uma preocupação com a segurança das peças após um roubo ocorrido em dezembro de 2002, na Holanda.

Essa preocupação permeia todo o museu, que está instalado em uma das maiores caixas-fortes do mundo. São 40 metros de comprimento, 10 metros de largura e outros 10 metros de altura. Os acessos são feitos por portas blindadas de 5 toneladas. Todas as vitrines têm controle de temperatura e vidros à prova de bala.

Para chegar até lá, é preciso ainda passar por um detector de metais. Bolsas, mochilas e casacos passam por uma máquina de raio-x semelhante às que existem nos aeroportos. O museu está aberto todos os dias, com ingressos a EUR 10 euros (cerca de R$ 51).

A mídia estatal da Arábia Saudita informou neste domingo (20) que a coalizão liderada pelos sauditas que luta no Iêmen disse que interceptou e destruiu um "alvo aéreo hostil" que visava a cidade de Jeddah, que receberá a Fórmula 1 no próximo fim de semana.

O grupo Houthi, do Iêmen, alinhado ao Irã, já havia atacado uma planta de distribuição da Aramco, companhia petrolífera estatal saudita, em Jeddah, depois de disparar mísseis e drones contra instalações sauditas de energia.

No caso da planta de distribuição da Aramco, o ataque resultou em um pequeno incêndio, que foi controlado e não deixou feridos.

Hoje, a Arábia Saudita alertou que os ataques de rebeldes iemenitas às instalações petrolíferas do país representam uma "ameaça direta" ao fornecimento global. Em um comunicado, o ministério das Relações Exteriores afirmou que os sauditas "não terão responsabilidade" se houver escassez de suprimentos devido a ataques dos houthis.

Já a temporada 2022 da Fórmula 1 começou no último fim de semana com o GP do Bahrein, vencido por Charles Leclerc, da Ferrari. Agora, a categoria desembarca na Arábia Saudita com os treinos livres na sexta-feira (25).

Os novos surtos de Covid em países da Europa e da Ásia acendem um alerta para a possibilidade de uma nova onda da pandemia no Brasil. Na última quinta (17), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados no estado. A proteção, porém, continua obrigatória em algumas situações, como em transportes públicos, além de ambientes hospitalares e em serviços de saúde (entenda as regras).

Para especialistas, mesmo com uma cobertura vacinal acima de 70%, a alta circulação da variante ômicron e o cenário de retirada das medidas de restrição podem levar a um aumento de infecções e, consequentemente, hospitalizações e mortes pelo coronavírus.

Na China, a média móvel de novos casos na terça (15) foi quase seis vezes o número registrado há duas semanas. Na Coreia do Sul, o dobro, e o país nunca registrou tantos óbitos (230 era a média móvel naquele dia) quanto nesta semana.

A situação não é muito melhor na Europa. Suíça, Reino Unido, Áustria, Alemanha, Itália, Holanda e França têm de 27% a 83% de alta na média móvel de contaminados em relação há 14 dias.

Na Alemanha, na terça, a média móvel era de 200 mil novos casos –mais de 10 mil a mais que o recorde brasileiro (registrado em 31 de janeiro), embora a população por aqui seja mais que o dobro da alemã.

O país também enfrenta alta de óbitos: são 23% mais que há duas semanas. Isso também acontece na Suíça (38%) e na Holanda (20%), embora nesta última o ritmo de novos casos pareça começar a ceder.

No Brasil, foram registradas na última quarta (16) 354 novas mortes e mais de 44 mil casos. As médias móveis de casos e mortes estão em estabilidade e em queda, respectivamente, em relação a duas semanas atrás, de 40.335 e 345.

Mesmo assim, a retirada de muitas medidas protetoras, incluindo a desobrigação do uso de máscaras até mesmo em locais fechados, pode provocar uma nova alta de casos. Segundo a epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin para Vacinas, Denise Garrett, o aumento de novos casos de Covid globalmente desde janeiro deixa claro que a situação não é isolada em alguns países e pode sim chegar ao Brasil.

"Os casos estavam diminuindo em todo o mundo e agora voltaram a subir. Não temos bola de cristal para saber como irá se comportar nem quando a onda atingirá o Brasil, mas podemos falar com quase 100% de certeza que vai chegar Denise Garrett epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin para Vacinas"

Para ela, uma preocupação adicional é que, neste momento, o país deveria estar se preparando para a chegada da nova onda, e não é o caso –ao contrário, os estados estão retirando a obrigatoriedade do uso de máscaras, flexibilizando as medidas de restrição e o governo federal deseja rebaixar a condição da pandemia para uma endemia, que é quando há um número de casos e mortes conhecido e constante anualmente.

Segundo Garrett, o país não se preparou o suficiente para enfrentar mais uma onda agora, com medidas como ampliar a testagem disponível para todos, a incorporação de medicamentos para uso nos primeiros dias da infecção –como as pílulas Paxlovid, da Pfizer, e molnupiravir, da MSD– e uma campanha de comunicação para ampliar a cobertura vacinal de dose de reforço.

A mesma visão é compartilhada pela professora da Universidade Federal do Espírito Santo, Ethel Maciel. "Era o momento de estudarmos com muita atenção o que está ocorrendo nos países da Europa e Ásia para antecipar problemas que podem surgir no país com uma possível nova onda, como a maior gravidade de doença em idosos que receberam o reforço há mais de cinco meses e podem estar desprotegidos", afirma.

De acordo com o epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas, Pedro Hallal, a alta de casos nos demais países acende um alerta para o Brasil. "A pandemia não acaba quando o governo decide retirar as medidas de restrição ou protetoras, ou porque o presidente está mirando a reeleição, ela acaba quando o vírus parar de circular, e o vírus não vai parar de circular enquanto não tomarmos as medidas adequadas", diz.

Para ele, assim como para Garrett, a discussão sobre as máscaras em locais abertos é extemporânea. "O problema não é a discussão de máscaras em locais abertos, a defesa de [desobrigar as] máscaras em locais abertos já existia desde setembro. À época, a média móvel de mortes era 150, mas não houve nenhum movimento. Agora, quando ela está em torno de 300, 400, os gestores decidem pela retirada no que, para mim, parece uma decisão eleitoreira e não baseada na ciência", afirma.

Professor da Universidade Federal da Bahia e pesquisador da Fiocruz Bahia, Mauricio Barreto alerta que o comportamento do vírus não é algo previsível e, por isso, a retirada de medidas protetoras agora é precipitada. "No final do ano passado tivemos uma desaceleração da pandemia, e logo em seguida surgiu a ômicron. Agora, com a retirada das medidas, já podemos observar um repique inicial indicando uma leve preocupação", diz ele.

Barreto assinou junto com outros 20 pesquisadores brasileiros um artigo publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia em dezembro passado. O texto lista 13 propostas que os estados e municípios devem adotar para reforçar a vigilância epidemiológica do Sars-CoV-2.

Entre elas, a detecção de novos casos na fase inicial, o isolamento de infectados e de seus contatos e o uso de máscaras mais eficazes, além de acelerar a vacinação. De acordo com o pesquisador, apesar de as vacinas oferecerem alta proteção contra hospitalização e óbito, elas possuem eficácia reduzida contra infecções frente a variantes de preocupação, como a ômicron, e novas variantes podem ainda surgir.

"A ideia básica não é exagerar as medidas, e manter algumas delas, como o uso de máscaras, inclusive como um sinal de que ainda estamos na pandemia. Aliadas às vacinas, as máscaras são um fator importante de proteção contra infecção, e retirá-las agora é dizer que uma medida de baixo custo e altamente eficaz não é mais necessária, o que considero precipitado", diz.