Por: Mateus Vargas

O governo Jair Bolsonaro (PL) deve dispensar a exigência de teste de Covid-19 de pessoas vacinadas que entrarem no Brasil.

Também avalia deixar de cobrar quarentena de quem não está vacinado, mas apresenta resultado negativo para o novo coronavírus em exame.

A regra deve valer para entrada no país por aeroportos e nas fronteiras por terra e aquaviária.

As mudanças foram sugeridas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na última semana. A decisão final será oficializada em portaria pelo Ministério da Saúde, pela Casa Civil, pelo Ministério da Justiça e da Infraestrutura.

A agência sugere que as mudanças passem a valer a partir de 1º de maio.

Mas o governo, que prepara um pacote de flexibilizações para propagandear que venceu a crise sanitária, pode antecipar as novas regras de controle de fronteiras.

Pela regra atual, quem entra no Brasil por voo internacional deve apresentar resultado negativo em teste para Covid e certificado de vacinação.

Se não estiver vacinado, além de apresentar o teste, o passageiro deve realizar quarentena de até 14 dias. Este isolamento pode ser dispensado a partir do quinto dia, desde que o viajante esteja assintomático.

A Anvisa também propôs dispensar a apresentação da DSV (Declaração de Saúde do Viajante), um documento que traz informações, por exemplo, sobre locais em que esteve o passageiro nos dias anteriores.

No fim de 2021, o governo chegou a rejeitar sugestões da Anvisa e tentou manter brecha à entrada de não vacinados no Brasil, mas o STF decidiu que era preciso cobrar o comprovante de vacinação contra Covid.

O presidente Bolsonaro chegou a dizer que a Anvisa queria "fechar o espaço aéreo". "De novo, porra? De novo vai começar esse negócio?", questionou o presidente, exaltado, em dezembro do ano passado.

As flexibilizações devem ocorrer no momento em que o governo tenta emplacar a versão de que venceu a Covid no Brasil. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e Bolsonaro chegaram a afirmar que a pandemia será encerrada, mas esta decisão cabe à OMS (Organização Mundial da Saúde).

Como mostrou a Folha, Queiroga modulou o discurso, passou a reconhecer que não tem poder de acabar com a pandemia e agora mira mudanças mais brandas. Entre elas, recomendar o fim do uso de máscaras e revogar regras que já não são essenciais para combater a Covid.

Por: Marcelo Leite

Após mais de cinco anos de preparação, começam nesta semana expedições ao Pico da Neblina lideradas pelos índios yanomamis do Amazonas. Aventura para poucos, mas que vale cada centavo, cada noite mal dormida e cada pisada na lama até a canela.

O primeiro grupo de dez pessoas das operadoras Amazon Emotions e Roraima Adventures partiu nesta quinta (17) para São Gabriel da Cachoeira (AM). Hospedagem e voo desde Manaus, a 850 km da cidade na região da Cabeça do Cachorro, não estão incluídos no custo de R$ 19.500 por pessoa.

É duro o caminho até a montanha mais alta do Brasil (2.995 m acima do nível do mar), que os índios consideram sagrada e chamam de Yaripo ("onde os ventos se cruzam"). Após o dia de chegada a São Gabriel, às margens do alto rio Negro, haverá dois dias para visita a comunidades indígenas e compras para a viagem.

No quarto dia começa a jornada ao pico. São quatro horas para percorrer 85 km de estrada precária, em utilitários 4x4, até o igarapé Ya-Mirim. Dali, o grupo segue em canoas "voadeiras" para a aldeia Maturacá, onde será recebido por cerimônia de pajés Yanomami.

Os oito dias seguintes –que podem virar dez dependendo do ritmo e das condições meteorológicas– são de caminhada classificada como de "dificuldade extrema". Há cerca de 2.900 metros de desnível entre um ponto e outro, mas com muitas subidas e descidas, o que implica mais de 5.000 metros de elevação total.

Haja pernas. Os pernoites se dão em redes nos acampamentos com postes e lonas montados antes pelos indígenas. Pode chover muito na região, e as roupas não secam. A temperatura não raro desce a 10ºC nas áreas mais altas.

A maior parte do deslocamento ocorre em trilhas, mas na estirada final há rochas que precisam ser escaladas, ainda que sem grande dificuldade técnica. Expedições anteriores instalaram cordas e degraus de metal, mas o turista deve contar com exaustão física.

Há trechos desafiadores, como um campo de bromélias em alta montanha, encharcado com lama negra de detritos vegetais. Os Yanomami usam botas de borracha com cano longo, mas muitos turistas preferem calçados de trekking em área úmida.

A região tem várias serras, com as montanhas cobertas de floresta e pequenos igarapés para banho. As vistas são impressionantes, ao menos quando a famigerada neblina não as oculta.
Estive lá numa expedição preparatória em 2017, pouco antes de completar 60 anos. Foi extenuante, ainda que compensador, e não me arrependi dos dois meses de condicionamento com caminhadas diárias de 6 km e muitos agachamentos com um preparador físico pessoal.

Optei, na época, por contratar carregador extra. Qualquer participante pode providenciar o seu, por R$ 1.900 adicionais, e deixar com ele até 25 kg de bagagem (em que cabem, por exemplo, alguns petiscos pessoais, para reforçar a alimentação básica fornecida). Caso contrário, terá de levar tudo nas próprias costas.

Do total pago pelo turista, R$ 700 se destinam à Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (Ayrca), organização indígena que desenvolveu a logística com apoio do Instituto Socioambiental (ISA). Uma vez cumprida toda a burocracia legal com Ibama e Funai, entraram as operadoras credenciadas.

O objetivo do esquema de turismo comunitário foi criar alternativas de renda sustentável, social e ecologicamente, para os Yanomami da região.

Com ela –essa é a expectativa–, jovens das aldeias não teriam mais tanto incentivo para oferecer seus serviços a preços aviltados ao garimpo ilegal que ainda ocorre por ali.

A montanha mais alta do país fica na fronteira com a Venezuela e no Parque Nacional do Pico da Neblina, que tem superposição parcial com a Terra Indígena Yanomami. As expedições menos organizadas haviam sido suspensas em 2003, quando cessaram autorizações para travessia do território.

A expedição de 2017 da qual participei tinha por meta de levantar pontos que demandavam instalação de equipamentos fixos para montanhismo. Foram erguidas, ainda, antenas de rádio para o sinal chegar desimpedido a Maturacá, dando assim segurança de que eventuais acidentados pudessem ser removidos com presteza (esse serviço é outro fator a encarecer a expedição).

Não houve percalços maiores na subida de 2017, a não ser por ocasionais bolhas nos pés de alguns caminhantes (felizmente não os meus), redes de dormir desabadas durante a noite e o fim das guloseimas antes do retorno à aldeia.

Foram oito dias com os pés molhados, como escrevi na época. Voltaria para lá sem pestanejar, mas só daqui a uns três meses pelo menos –para descarte prévio dos 10 kg recuperados desde que os pés voltaram a secar em Maturacá.

Saiba mais em
https://amazonemotions.com/pt/tour/expedicao-pico-da-neblina/
https://roraimaadventures.com.br/produto/pico-da-neblina/

Por: Joana Cunha

Estimulados pela liberação da obrigatoriedade das máscaras em ambientes fechados no Rio de Janeiro nesta segunda (7), donos de bares e restaurantes preparam um movimento para pedir a flexibilização total das medidas no país.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, diz que o setor só gostaria de esperar passar uma semana após o Carnaval para verificar se não haveria um novo pico de casos de Covid.

"Queremos deflagrar uma campanha para que o Brasil acompanhe países que já retiraram todo o tipo de restrição. Estamos celebrando o movimento do Rio, que nos pegou de surpresa. Entendemos que chegou a hora de essa medida ser estendida para o Brasil. Vai ser muito positivo para a economia como um todo e para o nosso setor em especial", diz Solmucci.

A Abrasel deve levar o pedido a todos os estados e mais de 400 municípios onde tem associados.

O Comitê de Enfrentamento à Covid-19 do Rio de Janeiro orientou nesta segunda (7) a liberação do uso das máscaras em ambientes fechados na capital do estado em medida que passa a valer com a publicação de um decreto e torna a cidade a primeira capital do país a abolir o uso da proteção na pandemia.

Neste domingo (6), o Brasil teve 219 mortes pela Covid e 15.810 casos registrados da doença. As médias móveis de mortes e de casos seguem em queda, na comparação com os dados de duas semanas atrás. A média de óbitos agora é de 430, redução de 48%, e a de infecções é de 40.161, queda de 60%.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou, pelas redes sociais, que a partir da próxima segunda-feira (7) será flexibilizado o uso de máscaras em locais abertos da capital. A decisão foi tomada diante da queda de casos de Covid-19.

"Para participar de shows e eventos esportivos será exigida a comprovação de vacinação de pelo menos duas doses e uso de máscara quando ocorrerem em ambientes fechado", ponderou o governador. "Estamos pouco a pouco voltando à normalidade. Não deixem de se vacinar", completou.

De acordo com o mais recente boletim epidemiológico divulgado pelo governo do Distrito Federal, na quarta (2), 682.990 casos de infecção pelo coronavírus foram registrados na capital do país, sendo 663.063 recuperados.

Ainda há 8.500 casos ativos da Covid e 11.427 pessoas mortas pela doença.

São Paulo também analisa a flexibilização. A liberação do uso de máscaras de proteção ao ar livre está novamente sob estudo do comitê científico do governo de São Paulo, segundo anunciou o governador João Doria (PSDB).

A previsão é anunciar uma nova decisão sobre o assunto na quarta-feira da semana que vem (9). Doria disse que, por ora, "não há uma decisão, mas há uma boa expectativa".

O tema não havia sido discutido pelos membros do comitê, que auxilia as decisões de Doria na pandemia, até pelo menos a última semana do mês de fevereiro.

Por: Mariana Zylberkan

O governo de São Paulo atribuiu às prefeituras a função de fiscalizar festas clandestinas e aglomerações durante o feriado de Carnaval.

"O carnaval é uma decisão das prefeituras. A orientação do estado é evitar festas e aglomerações. Se houver algum desrespeito [às recomendações], são as prefeituras que devem acionar a Polícia Militar", disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes nesta quarta-feira (23).

O secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, reiterou o posicionamento e afirmou que "os municípios agirão para que festas clandestinas sejam impedidas uma vez que ainda estamos vivendo uma pandemia".

A postura atual do governo paulista difere dos primeiros meses da pandemia, quando foram deflagradas forças-tarefa para coibir festas clandestinas e aglomerações capitaneadas pelo deputado federal e ator Alexandre Frota (PSDB).

As ações tinham a participação de agentes da Polícia Civil, Polícia Militar, Procon, Vigilância Sanitária e guardas-civis dos municípios.

Com a proibição dos blocos de rua neste Carnaval, proliferam nas redes sociais convites para festas privadas de carnaval com ingressos até R$ 700.

Respiradores

O governador comentou nesta quarta-feira sobre a investigação da Polícia Federal que acusa sua gestão de ter adquirido respiradores superfaturados no início da pandemia.

Segundo ele, não há viés político nas acusações e afirmou que confia na Polícia Federal de São Paulo com quem tem uma "relação republicana" enquanto governador.

Queda de mortes

De acordo com Doria, o estado registrou queda no número de mortes por Covid-19 pela primeira vez em 2022 nesta semana, quando houve redução de 11% neste indicador.

"O controle da pandemia se deu de forma eficaz em decorrência da vacina", diz o secretário estadual de saúde, Jean Gorinchteyn.

Segundo o secretário, a taxa de ocupação das UTIs no estado está, atualmente, em 51%, sendo que há três semanas essa taxa ultrapassou 75%.

"Estamos na fase descendente da transmissão da ômicron", disse o médico Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contigência do governo estadual.